<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-14790774</id><updated>2012-02-09T08:48:36.125-02:00</updated><title type='text'>Sarau ao Luar</title><subtitle type='html'>Sarau - Substantivo Masculino; 1) festa noturna, dentro de casa, onde se dança, executa música e recita;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas um lugar para se dialogar, trocar e discutir idéias, uma festa regada a música e vinho onde as paredes são o nosso infinito mundo, o teto é nada mais que o céu estrelado e a única luz é a que vem do luar.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://sarauaoluar.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14790774/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sarauaoluar.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Atilio Baroni Filho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_fwcU9_-k5CA/SPjwL_1GO-I/AAAAAAAAADQ/zmm-pYchO5o/S220/AtilioYES.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>14</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14790774.post-8462313612251774986</id><published>2009-03-31T11:17:00.003-03:00</published><updated>2009-03-31T12:05:53.922-03:00</updated><title type='text'>Ensaio sobre a Transcendência</title><content type='html'>Uma das características marcantes do ser humano, algo que conseguimos enxergar como o que nos separa do restante dos seres vivos no planeta, é a maneira como nossa mente funciona. Consideremos dois mecanismos que são de suma importância para essa diferenciação: a capacidade de entender o mundo como algo constituído de causas e efeitos (causalidade) e o desenvolvimento de uma linguagem capaz de abarcar conceitos complexos e abstratos, incluindo o uso da metalinguagem (poder falar do próprio falar).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enxergar a causalidade possibilita tirar conclusões muito práticas, mesmo que nem sempre acuradas, sobre o mundo ao nosso redor e é algo que parece ser inato, pois nos vem naturalmente o ato de enxergar um efeito e procurar sua causa, ou tentar causar alguma coisa buscando um determinado efeito. Todo e qualquer ato humano possui esse pano de fundo, qualquer pessoa é capaz de e justifica suas ações dessa maneira, mesmo que não esteja consciente de todas as causas ou de todos os efeitos (desconhecidos ou inconscientes).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A inclusão de uma linguagem complexa nessa equação é o que permite a interpretação e o pensamento coletivos sobre a causalidade em níveis únicos no planeta, o que nos torna excepcionais seres inquiridores e produtores de causas capazes de abarcar todo o universo. São características criadoras no sentido mais forte da palavra, pois dão forma e limite à nossa cognição, à maneira como nos relacionamos com o todo, e consequentemente também às nossas ações. Este próprio ensaio é uma maneira de busca e ação baseada nessa complexa teia de causalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os benefícios dessa combinação aparecem de maneira clara e maravilhosa nas diversas culturas de todo o mundo, em todas as relações humanas entre si e o mundo que nos possibilitaram ter esse exato ponto de vista, aqui e agora. É importante lembrar, no entanto, do grande problema que resulta dessa relação: a angústia que nos aflige por não encontrarmos, com absoluta certeza, as causas de todos os efeitos que percebemos e por não podermos predizer, com essa mesma certeza, os efeitos das causas que criamos. De maior importância ainda é a nossa incapacidade de aceitar com facilidade essas conclusões sobre a imprevisibilidade do universo e a finitude da compreensão humana sobre ele, ou seja, de que não podemos escapar dessa “moldura”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... ou podemos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas conclusões sobre o ser humano não são novidade, o que difere é a aproximação a esse dilema. As respostas mais comuns estão relacionadas à aceitação irrestrita dessa condição, às vezes chamada de estóica, seja ela de fundo científico através de um ponto de vista fundamentalista do materialismo metodológico, seja ela de fundo religioso ou espiritual pela entrega completa à própria causalidade (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;karma&lt;/span&gt;) ou a uma ou mais divindades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A outra aproximação é frequentemente nomeada como a busca pela transcendência, uma maneira de escapar ou sublimar a causalidade, algumas vezes literalmente. Os métodos para alcançar esse objetivo diferem, mas todos possuem um ponto em comum que se resume a alterar o funcionamento regular dos processos mentais para atingir um estado diverso de consciência, modificando o cérebro humano usando de sua inata plasticidade, de nossa capacidade de modificar as sinapses neurais. Dito de outra maneira, utilizando a causalidade para sair dela própria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa alteração dos processos mentais envolve a modificação da mecânica da cognição, buscando simplesmente “ser”, “existir” ou apenas “perceber” sem categorização ou interpretação, ou seja, sem a mediação da linguagem e do discurso, responsáveis pelo estabelecimento da separação entre o “eu” e o “outro” no espaço-tempo. Mesmo que não seja um estado permanente da consciência é uma experiência descrita como radicalmente transformadora, pois a sensação é de uma união profunda e sem igual com a totalidade do universo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Independente de ser uma real libertação da nossa realidade manifestada, em que por breves momentos a dualidade se desfaz e o universo volta a ser “um”, ou apenas um estado de funcionamento diverso do cérebro humano, estas são descrições de períodos distintos da humanidade sobre algo que precisa ser vivenciado e não somente debatido. Ambas são visões inspiradoras e belíssimas sobre a capacidade humana de guiar sua transformação num mundo de constante dialética... belezas diferentes, mas que chegam à mesma epifania.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14790774-8462313612251774986?l=sarauaoluar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sarauaoluar.blogspot.com/feeds/8462313612251774986/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14790774&amp;postID=8462313612251774986&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14790774/posts/default/8462313612251774986'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14790774/posts/default/8462313612251774986'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sarauaoluar.blogspot.com/2009/03/ensaio-sobre-transcendencia.html' title='Ensaio sobre a Transcendência'/><author><name>Atilio Baroni Filho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_fwcU9_-k5CA/SPjwL_1GO-I/AAAAAAAAADQ/zmm-pYchO5o/S220/AtilioYES.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14790774.post-3460864372473562970</id><published>2008-05-19T12:21:00.015-03:00</published><updated>2009-03-31T12:05:34.321-03:00</updated><title type='text'>Cegos que, vendo, não vêem</title><content type='html'>A leitura do livro &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ensaio sobre a Cegueira&lt;/span&gt; de José Saramago levantou em mim uma série de questões durante e após o término da narrativa. Todo o livro é baseado, como indica o título, em um acontecimento aparentemente simples mas que provoca uma verdadeira revolução na vida dos personagens e de todos ao redor deles: uma aparente epidemia de cegueira, a “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;treva branca&lt;/span&gt;”, se alastra incontrolavelmente entre as pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantas metáforas existem sobre o olhar e o observador? Quantos mitos falam dos efeitos devastadores de se observar diretamente um Deus, do poder terrível da Medusa que petrifica os que ousarem pousar o olhar sobre ela? O olhar intenso de ciúme, inveja ou desejo já causou mortes, carregou culpa e acusações, despertou paixões e amores, tantos êxtases estéticos. Quanto de nossas vidas é baseado e completamente dependente da visão? Como uma repentina cegueira modificaria nossas relações?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma sensação angustiante simplesmente fechar os olhos e começar o seu dia normalmente, mesmo que seja apenas no ambiente familiar de sua casa. Abrir a janela pela manhã ganha outro significado, você não precisa da luminosidade mas sentir a brisa entrando na casa satisfaz. O banho é diferente pois o que lhe acompanha não é a visão do azulejo, mas a sensação intensa do seu próprio toque e o ligeiro pesar da respiração com o ar quente ao seu redor. Você se veste pensando que não há como saber as cores de todas as peças, os tipos de costuras, as marcas. O calor advindo da vestimenta é reconfortante em si, para quem seriam, então, essas cores? Você prepara seu café da manhã com cuidado, tateando pela comida e lembrando que precisará limpar a pia e a cozinha de alguma forma. É tempo de sair, o trabalho espera. Dirigir é impossível, como chego até lá? Quem sabe um ônibus, alguém me ajudaria a entrar na linha correta e descer onde preciso? Será que lembro quantos passos, quantas esquinas, quantas ruas a atravessar até chegar ao escritório? Seria eu realmente capaz de trabalhar caso eu não enxergasse?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto ainda se aproxima muito da experiência de um cego numa sociedade que vê, mas se tiramos a visão de todos nós, quanto tempo demoraria até nos adaptarmos? Seríamos capazes de sobreviver quanto tempo com a comida já fabricada e entregue de forma confortável no supermercado? Conseguiríamos ainda arar a terra e plantar, colher? Sem eletricidade, sem a esmagadora parte das técnicas e de seus constructos as cidades se tornariam enormes complexos de cavernas, com computadores e telefones intactos, imóveis, inutilizados. Por quanto tempo o sistema sanitário ainda funcionaria e água desceria até as privadas? Para onde iria o que resta de nossa comida e bebida? Quão silencioso seria um mundo de cegos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isto leva à questão principal e que permeia todos estes ínfimos exemplos, toda a história do livro: a questão do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;significado&lt;/span&gt;. Qual o significado que daríamos para as relações entre nós, seres humanos, quando nossa sociedade ruísse com a perda da visão? Tudo se resumiria a “juntos conseguimos comida, sozinho pereço”? Se não enxergamos, como nos apaixonaríamos? Que significado daríamos para a idade, para a aparência? Surgiria a ditadura estética do toque e da maciez da pele, rejeitaríamos a sensação rugosa do rosto que perceberiam as pontas dos dedos? Se dois grupos de cegos se encontrassem disputando comida ou um lugar para se abrigar, eles se acomodariam juntos e dividiriam a comida ou brigariam pelos privilégios? Se um deles achasse uma fonte de água limpa, avisaria os outros e os ensinaria a chegar lá, ou cobraria qualquer preço que lhe conviesse para que tivesse acesso ao que era “seu”? O que faríamos com todo o acúmulo de conhecimento e pensamento se não pudéssemos mais ler? E a geração seguinte, já nascendo cega num novo mundo de cegos, que significado daria ela para essas relações?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Haveria uma mudança superficial ou profunda nos significados de nossas relações caso estivéssemos todos cegos e quanto tempo duraria essa mudança? Seríamos os mesmos, demonstrando de alguma forma uma espécie de “natureza humana”, ou seríamos outros, o humano sendo a idéia de um ser diferente? Qual seria o seu cego contexto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;"(...) Queres que diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;- Ensaio sobre a Cegueira, José Saramago&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14790774-3460864372473562970?l=sarauaoluar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sarauaoluar.blogspot.com/feeds/3460864372473562970/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14790774&amp;postID=3460864372473562970&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14790774/posts/default/3460864372473562970'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14790774/posts/default/3460864372473562970'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sarauaoluar.blogspot.com/2008/05/cegos-que-vendo-no-vem.html' title='Cegos que, vendo, não vêem'/><author><name>Atilio Baroni Filho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_fwcU9_-k5CA/SPjwL_1GO-I/AAAAAAAAADQ/zmm-pYchO5o/S220/AtilioYES.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14790774.post-6481077055955655605</id><published>2007-05-25T14:45:00.001-03:00</published><updated>2009-03-31T12:05:10.801-03:00</updated><title type='text'>O Porquê da Greve</title><content type='html'>Abrindo uma excessão particular pela qualidade do texto e para colocar em outra perspectiva a greve que acontece na USP, estou publicando o texto de um amigo estudante de Letras. Uma visão de quem está participando, ao contrário do que apenas a grande mídia propõe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos estudantes de Letras. Doutores ou graduandos, estamos sempre à procura da compreensão que se esconde sob a tinta no papel. Nosso sonho é interpretar cada emoção e idéia impressas nas palavras dos gênios. Nossa meta é analisar as estranhas trilhas que ligam a mente humana à escrita mundana. Nós perseguimos a Verdade, mesmo se a verdade for vária, pesquisando sem cessar as marcas que ela deixa em todas as línguas. E estamos dispostos a dividir nossas descobertas, ensinando aqueles que também desejam a Verdade e estendendo os benefícios dela a todos que nos cercam. Tais frutos muitas vezes demoram a maturar, e muitas vezes morrem ainda verdes. Muito tropeçamos na longa estrada de nossa busca, e nem sempre chegamos ao sucesso. Mas nosso objetivo é nobre, e nossos feitos iluminam as almas daqueles que os abraçam.&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;O problema é que a iluminação de almas não faz dinheiro, nem para nós, nem para ninguém. Sabemos disso, e renunciamos à fortuna material em nome da espiritual. Nem todos assumimos a pobreza como sina, mas não nos iludimos com a idéia de que nossa profissão eleita um dia possa nos brindar com iates, mansões ou viagens turísticas ao espaço sideral. As recompensas que recebemos são muito mais sutis, e nós as amamos acima desses luxos tão cobiçados. E nem por isso condenamos as pessoas que os cobiçam: deixamos a cada um o direito de escolher seus objetivos de vida. Mas, infelizmente, essa mesma liberdade não nos é concedida.&lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;O progresso econômico foi eleito pelo mundo contemporâneo como fim em si mesmo, um processo de desenvolvimento produtivo contínuo que deve superar quaisquer prioridades pessoais. As nações se curvam à tecnocracia, que promete a prosperidade em troca da uniformização. Não deve haver espaço para divagações, pois toda a energia da sociedade deve estar aplicada no corte de custos e na otimização do trabalho. Para que a economia cresça, para que o mercado se expanda, para que as prensas produzam sempre novas notas de papel-moeda, todas as mãos e mentes devem estar voltadas para a produção de bens comercializáveis. Mas os sábios sussurros cifrados em livros não podem ser vendidos, mesmo se traduzidos. Não há função para acadêmicos que invistam seus dias na procura do termo correto que complete a tradução de uma elegia grega, ou do símbolo fonético que expresse precisamente o som proferido pelo informante gravado &lt;st1:personname productid="em fita. S￣o"&gt;em fita. São&lt;/st1:personname&gt; atividades inúteis, que não podem ser convertidas em ações da bolsa. Nós só produzimos conhecimento, e o conhecimento que não puder ser convertido em uma forma de educação que uniformize as crianças em trabalhadores condicionados, elevando o Brasil ao mesmo patamar da Coréia, é supérfluo. E o amor por ele é anormal.&lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Nós somos anormais. Somos porque não nos encaixamos nos rótulos e padrões esperados do cidadão-modelo. Somos, porque nossas ambições não se resumem a ter sempre o carro do ano. Somos, porque desejamos fazer da arte mais do que decoração de sala de visitas, e da ciência mais do que fonte de novas estratégias empresariais. Somos porque queremos sê-lo. E somos muitos, mesmo fora do curso de Letras, mesmo fora da Faculdade de Filosofia, mesmo fora da Universidade de São Paulo, nas centenas de salas de aula em que um professor se eleva a um momento de entusismo ao transmitir seu saber, e faz com que pelo menos um aluno se entusiasme com ele. A anormalidade se reproduz, e isso nos delicia, pois nos traz esperanças de uma humanidade menos medíocre, como tantos poetas e sábios a conceberam.&lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Mas assim como nos delicia, assusta a muitos. Existem aqueles cujo medo é tão grande que preferem abolir a criatividade para levar com ela a insegurança do caos que traz consigo. A sistematização da humanidade cria movimentos previsíveis, projeta as experiências já conhecidas sobre o futuro, em uma tentativa deseperada de fugir do caos. Nós desejamos a presença do caos, em equilíbrio com a ordem, para que o novo possa sempre brotar e florescer. Repudiamos o tédio infinito da segurança absoluta que provém da irreflexão, das atitudes pré-programadas e indefinidamente repetidas daqueles que se contentam em girar &lt;st1:personname productid="em falso. E"&gt;em falso. E&lt;/st1:personname&gt; por isso somos incômodos, porque perturbamos a placidez mórbida da ordem social estabelecida. Por não exigirmos, como nossos antípodas morais, que todos se adaptem à nossa visão de mundo – mesmo porque somos muito mais capazes de compreender visões de mundo díspares, graças a nossos estudos – nos restringimos a circular entre os nossos pares, criando refúgios distanciados da estrutura coletiva que busca nos oprimir espiritualmente, trocando os benefícios gerados por nosso paradigma com os benefícios do paradigma alheio: ouro por idéias, idéias por ouro. Extremos essenciais da produtividade humana, complementando-se mutuamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;Hoje, no entanto, o materialismo parece se intensificar até os limites da insanidade, negando completamente a necessidade de idéias. Clamam que não somos mais necessários, que existimos como peso morto, que nada devolvemos à raça que nos gerou. Os pensamentos inovadores são rechaçados cada vez mais violentamente, e com eles também os refúgios de onde provém. As escolas, do ensino fundamental ao superior, se tornam de templos do saber em prestadoras de serviços. As universidades públicas não compõem exceção. Recentemente, o governador de São Paulo reforçou seu controle sobre a USP e decretou limitações diversas às ações de todos nós que procuramos compreensão. Embora as negativas a essa acusação sejam repetidas à exaustão, mantemos nosso descrédito por conhecer a diferença entre os princípios que guiam nossas ações e aqueles que dirigem a sociedade como um todo: para os governos, é plenamente legítimo direcionar tais instituiçães para a pesquisa operacional e a “racionalização de gastos”, mas não para nós. Para nós, essas são providências radicais e chocantes de despersonalização, embora não sejam pioneiras. Durante décadas, os responsáveis por manter financeiramente essas faculdades têm olhado com deliberado descaso para aquelas que não se curvam às leis da mercadoria, deixando-as apodrecer &lt;st1:personname productid="em vida. H￡"&gt;em vida. Há&lt;/st1:personname&gt; melhor exemplo que o curso de Letras, nosso curso, cujas disciplinas são muitas vezes ministradas em condições próximas do impraticável?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;Somos estudantes de Letras, e queremos estudar. Mas não conseguiremos mais estudar se não pudermos deixar de lado nossos estudos pelo tempo que for necessário para conquistar a liberdade necessária às nossas pesquisas, as condições físicas mínimas que garantem a eficiência do ensino, e a idoneidade dos projetos de extensão do conhecimento a toda a sociedade, não apenas às empresas. A esse contra-senso nos obriga o autoritarismo que se recusa a dialogar a não ser quando atingido por um golpe que lhe abale a estabilidade, arrombando-lhe a porta e obrigando-o a reconhecer nossa existência diferenciada. Mas não tememos paradoxos, estamos acostumados a encará-los em nossos estudos, assim como não tememos a necessidade de mostrar nossa força se isso for necessário para conquistar nossos direitos. Certamente preferimos usar de civilidade, mas não permitiremos que ela seja um obstáculo à defesa do que consideramos ainda mais importante: a liberdade total de pensamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Por isso entramos em greve.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso nos unimos a nossos colegas de outros cursos e aos trabalhadores que defendem nosso reduto, incorporando suas justas exigências em vista do funcionamento orgânico das Universidades. Por isso conclamamos todos os que discordam da hegemonia da economia em nossas vidas para se unirem a nós no estabelecimento desse espaço em que possamos produzir o que NÓS achamos que vale a pena, não o que ordena a lei de oferta e procura. Por isso reivindicamos mais professores nas salas de aula, salas de aula reconstruídas para satisfazer nossas reais necessidades, a autonomia que nos garanta a continuidade dessa satisfação e a transparência que nos permita fiscalizar tal garantia. Para cultivar sempre o desenvolvimento da arte e da ciência, sem condicioná-lo a interesses externos. Para proteger nossa anormalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;  Ivan P. Zanni&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14790774-6481077055955655605?l=sarauaoluar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sarauaoluar.blogspot.com/feeds/6481077055955655605/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14790774&amp;postID=6481077055955655605&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14790774/posts/default/6481077055955655605'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14790774/posts/default/6481077055955655605'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sarauaoluar.blogspot.com/2007/05/abrindo-uma-excesso-particular-pela.html' title='O Porquê da Greve'/><author><name>Atilio Baroni Filho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_fwcU9_-k5CA/SPjwL_1GO-I/AAAAAAAAADQ/zmm-pYchO5o/S220/AtilioYES.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14790774.post-4854650489804317289</id><published>2007-01-31T23:36:00.001-02:00</published><updated>2009-03-31T12:05:01.558-03:00</updated><title type='text'>Pseudo-Válido</title><content type='html'>Existe uma poderosa força que é muito subestimada, ou muitas vezes mal compreendida, mas que é capaz de alinhar as atitudes de muitos seres humanos para o mesmo objetivo: &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;a fé&lt;/span&gt;. Não me restrinjo à fé religiosa de forma alguma, o conceito que busco ilustrar é o de acreditar com paixão em algo; seja você mesmo, seja uma outra pessoa, seja uma instituição, seja um conjunto de ideais, esta crença direciona nossos propósitos com uma intensidade sem par. Não é por coincidência que as religiões foram, e ainda são, capazes de assumir um papel de ligação entre um grande grupo de seres humanos através de suas doutrinas, apontando para eles o caminho a seguir. A exclusividade sobre a força da crença é difícil de se conseguir, o que nos leva a uma pergunta, para onde está direcionado nosso propósito hoje?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atualmente todos acreditam no poder da ciência e como consequência no da moderna tecnologia, em diferentes níveis tanto de fervor a essa crença como de consciência sobre a mesma. Todo o nosso modelo de sociedade atual foi baseado em seu começo sobre idéias que surgiram com o método científico cartesiano, não exclusivamente, mas foram idéias que influenciaram muitos dos pensadores da época. Durante mais de três séculos a ciência revolucionou a organização social de muitas nações e acreditava-se que era possível não somente explicar o mundo, mas também dominá-lo através de suas técnicas. Este determinismo ainda colore o pensamento de grande parte da nossa sociedade, e com razão, pois em todas as nossas instituições mais importantes é possível enxergar um método. A política moderna, o direito moderno, a medicina moderna, a guerra moderna, todas elas podem ser consideradas ciências com seus próprios cientistas desenvolvendo métodos e progredindo em descobertas, pois esse é o modelo no qual foram baseados. Mesmo as pessoas que não possuem conhecimento científico acreditam nas respostas servidas pelos especialistas que o tem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A economia moderna também é uma poderosa crença que nos influencia a mais tempo do que o método científico, e suas raízes começam a crescer desde a Revolução Inglesa e a posterior Revolução Francesa contra o absolutismo das monarquias da época. Foi a partir desta época que as burguesias mercantes começaram a lutar para manter o poder recém conquistado, e este vinha através do comércio. A palavra que hoje se utiliza para o "Mercado" possui um significado datado, pois a troca de produção ou bens entre seres humanos existe há muito mais tempo e sempre vai existir. O que marca a nossa sociedade hoje é o modelo atual em que estão formatados o mercado e a economia, com uma impressionante expansão mundial e uma grande influência em nosso cotidiano. O economicamente viável e o crescimento indiferenciado se tornaram os objetivos maiores de grande parte das nações, todos os seus recursos e ações têm o seu fim direcionado para estes objetivos. Mesmo no cotidiano as pessoas buscam esse mesmo crescimento e se preocupam todos os dias se seus planos são economicamente viáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As religiões continuam com o papel fundamental de cuidar da espiritualidade do ser humano, mas perderam muito do seu poder de direcionar o propósito de grupos sociais frente a estas duas instituições que ditam nosso cotidiano. Voltando ao que foi dito no começo desta idéia, há algo que parece passar despercebido. Todas estas instituições nos dizem o que é válido, mas quem as construiu e quem lhes da poder são todos aqueles que acreditam nelas. Nenhuma delas está errada simplesmente porque nenhuma delas pode estar absolutamente certa. Nenhum candidato a absoluto na história chegou a conquistar o lugar eterno entre os seres humanos pregado por seus ideais. Não obstante seguimos pelo mesmo caminho com a convicção de que "o mundo e as pessoas são assim" sem perceber que é exatamente essa crença que da poder a essa idéia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez mais eu pergunto, mas de maneira ligeiramente diferente. Para onde, verdadeiramente, &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;queremos&lt;/span&gt; que esteja direcionado nosso propósito?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14790774-4854650489804317289?l=sarauaoluar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sarauaoluar.blogspot.com/feeds/4854650489804317289/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14790774&amp;postID=4854650489804317289&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14790774/posts/default/4854650489804317289'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14790774/posts/default/4854650489804317289'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sarauaoluar.blogspot.com/2007/01/pseudo-vlido.html' title='Pseudo-Válido'/><author><name>Atilio Baroni Filho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_fwcU9_-k5CA/SPjwL_1GO-I/AAAAAAAAADQ/zmm-pYchO5o/S220/AtilioYES.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14790774.post-116342999579652302</id><published>2006-11-13T12:58:00.002-02:00</published><updated>2009-03-31T12:04:54.140-03:00</updated><title type='text'>Mídia de Cabresto</title><content type='html'>O abuso que foi cometido e justificado sob o rótulo conveniente de "cobertura da campanha eleitoral" aconteceu de maneira oportuna para levantar uma série de importantes questões. No centro da questão está a óbvia falha das comunicações de massa tradicionais em funcionarem como mediadoras dos processos democráticos, uma patologia recorrente e constante da própria natureza destes meios mas que se tornou dolorosamente clara neste final de ano. Comparações podem ser feitas com outros eventos em que aconteceu este perigoso alinhamento da mídia, esta tendência a se alimentar de si mesma e ignorar as opiniões de quem recebe a informação, como o processo de eleição e o de impeatchment de Collor. Ainda não aprendemos com estes movimentos deliberados?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fator crucial que pode ser apontado como causa da baixa qualidade do jornalismo brasileiro é o seu comprometimento com os interesses do capital, um movimento que pode ser percebido no mundo todo, seguindo também um modelo de negócios em que notícias superficiais são mais fáceis e mais baratas de se produzir. O vício do jornalismo declaratório vem em parte do fato de que matérias profundas e bem analisadas custam caro e levam tempo. O emprego abusivo de estagiários popula a redação jornalística com pessoas mais inexperientes e imaturas do que o leitor comum e deixa o funcionário em uma posição vulnerável onde é obrigado a aceitar trabalhos de ética duvidosa por pressão para sustentar sua posição. A mídia espelha hoje o comportamento do Brasil, um país de monopólios oligárquicos e dependência do capital financeiro. Esta inércia infecciosa parace ter chegado novamente a um ponto onde não é possível tolerar e não deve ficar sem resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Manifesto por uma mídia democrática e independente, organizado e escrito pelo Prof. Bajonas, foi uma destas reações que conseguiu dar voz aos inconformados com a situação como se encontra, chamando a atenção para as desproporções gritantes entre as exposições negativas na mídia sobre os principais candidatos à presidência, e para o fato de que o uso de uma concessão pública de forma parcial é proibido por lei. Nós temos o direito de exigir igualdade de condições para que as eleições livres possam ocorrer de acordo com os princípios que as definem, e não de forma criminosa como ficou claramente exposto. O impacto desta realização foi sentido, de acordo com pesquisas do Observatório Brasileiro de Mídia, pois nas duas últimas semanas da campanha pelo segundo turno houve uma sensível diminuição na diferença de tratamento dos candidatos, apesar de continuar sendo óbvia. Nossa indignação não passa despercebida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou o momento de questionar de maneira exaustiva os pilares que sustentam a crença e confiança que se depositam nos meios de comunicação de massa. O que dizer de pessoas que "acusam o povo de não estar afinado com a opinião pública"? Das chamadas "fontes" que nada mais são do que profissionais do lobby de informação pagos para recolher e plantar notícias de interesse para quem pode pagar? A mídia de massa nunca teve um compromisso aberto com a verdade, transformou essa busca em algo ainda mais subjetivo como a credibilidade ou confiabilidade. Não é necessário ser verdadeiro, basta ser plausível e vir de uma fonte considerada idônea. Hoje se acredita no que se quer acreditar, que o segmento da sociedade menos regulamentado dentre todos é imparcial e comprometido com os fatos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais do que somente questionar, devemos criar alternativas sólidas e descentralizadas de acesso e produção de informação, devemos nos organizar de maneira a exercer força e pressão nos canais necessários, pois a resistência é igualmente grande. A maneira mais efetiva e rápida de combater estes vícios é com as ferramentas que são usadas contra nós, a tecnologia que pode ser usada para aumentar a concorrência e diminuir o monopólio de discussão de idéias em nosso meio, assim como um tratamento mais humano a essa troca de conhecimento. Queremos mesmo "saber o que todo mundo está sabendo", ou será que buscamos maneiras relevantes de participar da vida de quem nos é importante? Aprender a pensar a informação e os meios de comunicação como uma outra forma de se tomar decisões coletivas será um grande passo para uma maior conscientização do papel de cada um nesse grande show de luzes que é hoje a mídia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14790774-116342999579652302?l=sarauaoluar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sarauaoluar.blogspot.com/feeds/116342999579652302/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14790774&amp;postID=116342999579652302&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14790774/posts/default/116342999579652302'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14790774/posts/default/116342999579652302'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sarauaoluar.blogspot.com/2006/11/mdia-de-cabresto-o-abuso-que-foi.html' title='Mídia de Cabresto'/><author><name>Atilio Baroni Filho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_fwcU9_-k5CA/SPjwL_1GO-I/AAAAAAAAADQ/zmm-pYchO5o/S220/AtilioYES.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14790774.post-115933409014046414</id><published>2006-09-27T02:03:00.002-03:00</published><updated>2009-03-31T12:04:45.684-03:00</updated><title type='text'>Problemas e Soluções</title><content type='html'>As eleições estão chegando e o circo armado em torno deste evento levanta algumas questões importantes que vão além da publicidade política e de candidatos individuais. Demonstração de opiniões e debates já aconteceram e ainda acontecem em diversos meios mas faltam algumas outras considerações, como por exemplo uma questão muito pouco levantada e que deveria ser essencial para uma real conscientização política: o que realmente são as eleições? Não procuro pela definição padrão que é encontrada em textos de ciência política ou enciclopédias, e sim questiono o seu valor que é pregado em diversas propagandas onde nos dizem a importância de nosso voto para o futuro do país. Este sentimento, aliado às contantes publicidades políticas (publicidade pois estão tentando vender algo, não informando), passam a nítida impressão de que eleições são apenas mais um "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Momento Polishop&lt;/span&gt;" em nossas vidas: atores contratados fazem seu papel, lendo suas linhas e tentando mostrar para nós esta subitamente óbvia necessidade de comprar uma coisa que não precisamos e que não faz parte de nosso dia-a-dia, e que mais cedo ou mais tarde termina encostada atrás da porta do banheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Participar das eleições é essencial? Sem dúvida. Renunciar a isso é renunciar ao ínfimo que nos resta de poder de decisão numa democracia inexistente e hipócrita. Usando a excelente analogia de Alvin Tofler para como funciona a máquina de decisões políticas em civilizações industriais, podemos comparar o momento de eleição de nossos representantes como uma máquina de prensa. Um aparelho que conhece atividade apenas quando existe uma placa de metal na posição certa e só então é acionado, moldando a chapa e voltando a seu estado imóvel inicial até que outra chapa seja colocada. A máquina de decisões políticas de um Estado-Nação é muito mais similar a uma refinaria de petróleo, que após iniciadas suas atividades nunca para, funcionando constantemente. Não somente deixamos de participar de praticamente todas as decisões políticas que definem nossas vidas, como esta mesma máquina colossal que é um Estado faz com que todos se sintam pequenos e incapazes de realmente fazer a diferença já que é necessário lutar com unhas e dentes por intermináveis camadas de burocracia e por décadas de confortáveis subornos para se gerar, talvez, alguma mínima resposta. Como se espera e se encoraja a consciência política de uma população que teve a própria política arrancada de seu cotidiano? É possível dar valor a uma coisa considerada desprezível e que não faz parte de sua realidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não podemos continuar acreditando que partidos políticos, ideologias políticas e candidatos em particular durante uma eleição realmente existem, pois não é nada disso que realmente os define, e sim as relações entre eles. Sejam coligações superficiais que se desmancham como papel molhado após a eleição, seja em acordos políticos dos quais não participamos que asseguram a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;governabilidade&lt;/span&gt; de um mandato, não nos é mostrado em nenhum comercial como realmente funcionam os mecanismos dos quais teoricamente somos parte fundamental. Direita e esquerda são conceitos ultrapassados que não se aplicam mais à realidade, não são suficientes para abarcar a complexidade da nossa sociedade, não é a toa que as retóricas e críticas de ambos os lados soam vazias quando jogadas uma contra a outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da maneira como é concebido o sistema político hoje, nosso voto faz realmente tanta diferença quanto tentam nos dizer? O simples ato de votar é realmente um símbolo de cidadania por si só? Votar em um ou outro candidato nos trará a &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;solução&lt;/span&gt; para nossos &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;problemas&lt;/span&gt;, como ouço e vejo ser dito na TV desde quando consigo me lembrar? É muito triste ver que o paternalismo que nos foi enfiado goela abaixo pela ditadura ainda marca as atitudes de praticamente todas as gerações atuais, que ainda não nos recuperamos do pesado golpe que foi desferido contra todos nós em nome da ordem e do progresso. O positivismo continua arraigado de forma venenosa em nossa cultura, nos fazendo crer que podemos aplicar a linguagem científica para explicar a nós mesmos, nossas relações que nos definem, nossas necessidades subjetivas e imensuráveis como a sensação de segurança, a saúde como um todo ou a felicidade. Nos fazendo crer que podemos encarar uma cultura inteira e todas as suas complicações, vidas interligadas de seres humanos, como uma série de problemas que podem ser resolvidos com simples análise e determinação de uma solução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As respostas não estão simplesmente em um passado nostálgico porque nós não somos mais as decisões que já foram tomadas, somos suas consequências. As respostas não estão simplesmente num futuro ilusório, seja o progresso tecnológico ou no crescimento indiferenciado da economia, pois nós também não estamos caminhando em linha reta e sempre para frente, por mais que isso seja a forma mais simples de se encarar o mundo. Não existe solução porque não existe problema. O que realmente existe são processos dinâmicos e cíclicos em constante mutação, que envolvem constantes e inevitáveis contradições, pois estamos falando de seres humanos e suas criações. Estamos falando de uma organização de bilhões de pessoas onde as mudanças demoram a acontecer e demandam um interesse e um esforço individual e coletivo contínuos e cheios de propósito. Antes de esperar que um milagre venha do céu e o atual super-homem venha nos salvar com seu programa de mandato, precisamos aprender a pensar diferente, agir diferente, mas principalmente agir para que demos os primeiros passos para uma real mudança na própria forma como se faz política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre haverá "problemas", mas que podemos muito bem definir como oportunidades, de acordo com parte do pensamento chinês. Devemos admitir isso, reconhecer aquilo que não gostamos na situação atual como um primeiro passo, e admitir também que nenhuma mudança é perfeita e que teremos de abraçar as novas oportunidades e lidar com elas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14790774-115933409014046414?l=sarauaoluar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sarauaoluar.blogspot.com/feeds/115933409014046414/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14790774&amp;postID=115933409014046414&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14790774/posts/default/115933409014046414'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14790774/posts/default/115933409014046414'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sarauaoluar.blogspot.com/2006/09/problemas-e-solues-as-eleies-esto_27.html' title='Problemas e Soluções'/><author><name>Atilio Baroni Filho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_fwcU9_-k5CA/SPjwL_1GO-I/AAAAAAAAADQ/zmm-pYchO5o/S220/AtilioYES.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14790774.post-115326990346172165</id><published>2006-07-18T21:42:00.001-03:00</published><updated>2009-03-31T12:04:36.616-03:00</updated><title type='text'>Escravos da Eficiência</title><content type='html'>Alguns dizem que ainda vivemos na Era da Razão, do domínio da mente sobre o corpo, as emoções e o mundo. A ciência alavancando o desenvolvimento de novas e cada vez mais constantes revoluções tecnológicas como a ponta da lança que se arremessa ao futuro com vigor. Nos é permitido conhecer com cada vez mais precisão os mínimos detalhes do mundo macro e micro que nos cerca além do que nossos sentidos podem perceber sem ajuda e do qual fazemos parte integralmente. As respostas a cada um destes estímulos direcionados a sociedade como um todo, e incontáveis outros, são cada vez mais apuradas, cada vez mais mensuráveis, e é exigido de cada pessoa dentro deste sistema resultados igualmente eficazes. Parece uma afirmação bastante comum e lógica em nosso dia-a-dia, mas há algo faltando em toda esta familiaridade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A busca por uma solução universal e pelo desenvolvimento humano como um todo através da ciência ultrapassou e muito seus limites, se esqueceu completamente destas mesmas raízes. Consideremos que determinadas tecnologias capacitam e estimulam o ser humano a pensar de determinadas maneiras, assim como igualmente determinadas formas de pensar influenciam nas tecnologias produzidas. Todo o raciocínio lógico, compartimentalizado e racional baseado nas idéias de Descartes e outros de seu tempo, que ainda influenciam a busca pela verdade através da ciência nos dias de hoje, direcionou a forma de se pensar e agir de grande parte da sociedade ocidental e que mais tarde com a vinda da revolução industrial, direcionou também a forma de se produzir. Assim como o corpo humano e o mundo natural, tudo é passível de se dividir em partes separadas para o melhor estudo e funcionamento, tudo pode ser categorizado rigidamente e cada parte deve gerar a resposta adequada para o bom funcionamento do todo numa metafórica linha de produção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguindo as transformações históricas, principalmente com o espalhar sistemático do capitalismo no mundo todo possibilitado pela revolução industrial, todas estas idéias mudaram de foco aos poucos, sutil o suficiente para parecer apenas uma evolução natural. Todo o pensamento racional, todos os métodos lógicos e organizados, todo este acúmulo de experiências e desenvolvimentos humanos se voltaram para um simples e puro resultado, o lucro. Por ser algo simples de se medir, de se quantificar e projetar seu crescimento e declínio, seguindo o óbvio pensamento lógico, tudo o que se deve fazer para alcançá-lo é utilizar de todo este poder de raciocínio da mente e planejar uma estratégia &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;eficaz&lt;/span&gt;. Uma palavra com o simples significado de produzir o efeito desejado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não existe mais Era da Razão pois nada mais se baseia em um pensamento lógico, apenas em um raciocínio economista de resultados que devem ser apresentados. O fator humano só faz parte desta equação como um crescente incômodo, pois é mais passível de erros, de incongruências, que atrapalham todos os dados de retorno e as metas de resultados. Somos todos forçados dia após dia a caminhar com os pesados grilhões da eficiência. Nos utilizamos de automóveis não porque torna nossas vidas melhores, mas sim por nos levar e a tudo de que necessitamos de maneira mais rápida de um lugar ao outro, o que movimenta de maneira mais eficaz a economia. Nos conformamos em sentir gostos cada vez mais industrializados e artificiais em troca dos reais sabores da vida não por serem a melhor opção, mas simplesmente por serem a forma mais eficaz de vendê-los em larga escala. Trabalhamos todos os dias sem motivação alguma que não seja alcançar uma meta de maneira eficaz, não importa quão absurda ela seja, quais os motivos por trás dela ou se vai de encontro com aquilo que você acredita ser certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Citando o pintor fauvista Henri Matisse, "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Exatidão não é verdade&lt;/span&gt;". O mundo ao nosso redor é muito menos previsível e controlável do que gostaríamos que fosse. Os seres humanos ao nosso redor também. São inegáveis todos os feitos que foram realizados até hoje por este tipo de atitude por demais focada nos resultados, mas a que custo? Nossa sociedade já se tornou degradante e humilhante o suficiente para que seja urgente a necessidade de trazer a ela esta instabilidade, esta inconstância, esta falibilidade humana. Precisamos lutar agora para que nos seja realmente permitido errar e sentir sem a culpa de que isto é ruim para a produtividade. O eficiente não se sustenta e não é sinônimo de correto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O eficiente não busca o melhor para o ser humano.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14790774-115326990346172165?l=sarauaoluar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sarauaoluar.blogspot.com/feeds/115326990346172165/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14790774&amp;postID=115326990346172165&amp;isPopup=true' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14790774/posts/default/115326990346172165'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14790774/posts/default/115326990346172165'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sarauaoluar.blogspot.com/2006/07/escravos-da-eficincia-alguns-dizem-que.html' title='Escravos da Eficiência'/><author><name>Atilio Baroni Filho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_fwcU9_-k5CA/SPjwL_1GO-I/AAAAAAAAADQ/zmm-pYchO5o/S220/AtilioYES.jpg'/></author><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14790774.post-114874986415504786</id><published>2006-05-27T14:09:00.001-03:00</published><updated>2009-03-31T12:04:27.263-03:00</updated><title type='text'>Hipocrisia Verde e Amarela</title><content type='html'>É fácil lembrar de todos os lugares comuns possíveis quando se fala de futebol, exatamente porque é um assunto que já foi tão discutido e explorado por todo tipo de pessoa, desde conversa de boteco até fenômeno sociológico, que fica difícil de começar por algum lugar. Estar no Brasil e não saber o que é futebol talvez seja algo impensável, talvez, mas não preciso dizer para ninguém sobre chuteiras ou o que significa “derrubou na área é pênalti”. Não torcer para nenhum time ou não entender porque aquela quarta-feira ou domingo estão tão agitados nos bares com telões parece um tipo de heresia, como se você não pertencesse ao país onde disse que nasceu. É ficar de fora daquelas discussões matinais de escola todo dia após um jogo, onde cada um defende o seu lado sem desisir nunca, mesmo que seja o lado que tenha perdido a partida. Já se elevou ao patamar de ser algo tão apaixonado e individual que é como discutir religião, é questão de acreditar e ponto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Futebol é uma forma muito triste de sintetizar os problemas crônicos do nosso país. Para começar, como uma parte integrante e não necessariamente ruim de nossa cultura, é algo que veio de fora, que trouxe o tal do &lt;i style=""&gt;goal&lt;/i&gt;, que digerimos e traduzimos para o tão falado jogo bonito, jogo alegre, jogo brasileiro. Noção esta que nos faz ciumentos, como se fosse algo particular, como se a invenção fosse nossa, e é a este sentimento de que fazemos algo com excelência e reconhecimento mundial que todos se apegam desde antes da época da ditadura militar, mas que com a ajuda dela se tornou algo massificado. Graças a imensa rede de telecomunicações construída pelos militares ao custo do empobrecimento da nação, pudemos todos ver em preto e branco Pelé cumprimentando o Presidente Médici. Quanto orgulho! Não importa que aquela única TV esteja no único cômodo de um barraco onde vivem dez pessoas, ganhamos a Copa do Mundo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Digerimos e traduzimos também a política do pão e circo, transformando em Fome Zero e Futebol Televisionado. Tempos de Copa do Mundo são tristes pois mostram todo o potencial que as pessoas possuem de se organizar em torno de uma idéia, mas também o devolvem como um tapa na cara em forma de brigas em estádios. Imagine que coisa bela, milhões de pessoas apaixonadas e decididas, torcendo e brigando sem hesitação para melhorar as condições de vida de onde moram ou protestando contra os abusos de seus governantes. Não estou falando de simples passeatas ou atos de um dia só, mas sim de entidades organizadas, com nomes e símbolos próprios fortes que vão além da própria região onde residem, com as defesas de suas idéias feitas hinos e gritos de guerra. Isto é uma torcida organizada, que usa todo esse potencial para quebrar sua própria propriedade (com todo o cinismo da expressão) e matar uns aos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brigas de estádio estas que nada mais são do que o momento de catarse de pessoas oprimidas pela violência social a que são submetidas todos os dias, um infeliz momento em que toda a energia da revolta contra uma realidade que a massacra é descontada no próximo, na maioria das vezes outro oprimido. A mesma sociedade que se une em torno de um esporte se sente incapaz de agir sobre os problemas que a perturbam, e não consegue ver que essa mesma união poderia ser o começo das soluções para estes mesmos problemas. Quem, literalmente, lucra com isso está feliz da vida. Época de Copa do Mundo é perfeita para se esquecer da política e do crime organizado, ou dos dois agindo em conjunto como o PCC em São Paulo demonstrou muito bem ser possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As propagandas, como não se lembrar delas, transformando os jogadores da seleção brasileira nos atuais heróis nacionais, exemplos a serem seguidos, pessoas a serem admiradas. As mesmas pessoas que depois concordam em assinar com seus nomes frases feitas de campanhas publicitárias de bancos, como se uma pessoa normal dissesse para outra numa conversa casual: “Gosto do meu banco porque ele sempre faz uma jogada diferente comigo”. Ninguém parou ainda para pensar que os atuais heróis nacionais estão todos exportados, como os produtos que são, como toda boa cultura brasileira a ser apreciada como &lt;i style=""&gt;cult&lt;/i&gt; na Europa. Aqui se falam em heróis que só são vistos na reprise do telejornal ou para os poucos que tem TV a Cabo, enquanto na favela se bate uma pelada e se sonha com um Ronaldinho Gaúcho que há quase uma década não joga regularmente em gramados brasileiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nada disso importa, vista verde e amarelo pela primeira vez em dois anos, acredite que seu país pode ser o melhor em algo, torça unido pela única coisa que junta mendigos e assalariados na frente da mesma TV de padaria, pois a Copa vem aí! Pra frente, Brasil!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14790774-114874986415504786?l=sarauaoluar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sarauaoluar.blogspot.com/feeds/114874986415504786/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14790774&amp;postID=114874986415504786&amp;isPopup=true' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14790774/posts/default/114874986415504786'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14790774/posts/default/114874986415504786'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sarauaoluar.blogspot.com/2006/05/hipocrisia-verde-e-amarela-fcil.html' title='Hipocrisia Verde e Amarela'/><author><name>Atilio Baroni Filho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_fwcU9_-k5CA/SPjwL_1GO-I/AAAAAAAAADQ/zmm-pYchO5o/S220/AtilioYES.jpg'/></author><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14790774.post-114299834323399809</id><published>2006-03-22T00:32:00.001-03:00</published><updated>2009-03-31T12:04:18.354-03:00</updated><title type='text'>arte ou Arte</title><content type='html'>O que se convencionou chamar de "Arte" ou "belas artes" domina o imaginário e a vida das pessoas, mesmo que se nos poucos momentos em que esse assunto chame sua atenção. Quadros em que a maestria de execução, a técnica maravilhosa em cada pincelada, esculturas que parecem capazes de um movimento vivo súbito tal é seu acabamento, gravuras que denotam a paciência na composição de cada risco impresso ou construções magníficas e gloriosas. Esta interpretação do papel da arte como instrumento para a representação do belo, mesmo que seja um conceito já muitas vezes questionado pelos próprios artistas, parece impregnada nos pensamentos atuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história é dos vitoriosos. Não se aprende nas escolas a história da arte paraguaia, o que não quer dizer de forma alguma que ela não existiu ou existe. A mitologia greco/romana é estudada como o único remanescente das culturas pagãs da região hoje conhecida como Europa antes do surgimento do Catolicismo, quando com um pouco de raciocínio não é difícil chegar a conclusão de que não há sociedades sem produção de cultura. Mesmo que se questione o fato de que talvez as obras dessas culturas não tenham resistido ao tempo como as egípcias conseguiram, basta olhar para a belíssima arte oriental dos muçulmanos e indianos completamente ignorada nos maiores livros escritos sobre o assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem isso, no entanto, justifica o aparente consenso atual sobre o que é "Arte". Ele é ainda um resquício do período da história mais conhecido como Renascimento ou Renascença, uma época em que os artistas buscaram nas obras gregas e romanas o ideal de perfeição, de maestria de execução, de regras claras como chave para o belo. Foi a época em que se descobriu a perspectiva, em que se aprendeu a arrendondar as formas atráves de suaves transições de cores para as sombras, em que o conhecimento saía para a proverbial luz e voltava ao domínio do homem comum. A busca pela perfeição de formas orgânicas geradas por programas de modelagem 3D, junto com os cálculos de texturas e iluminação, terminando com os retoques para a finalização da imagem em sua "renderização" de hoje, refletem essa familiar busca pelo reflexo do que nossos olhos vêem naquilo que é produzido pelo homem que tem suas raízes nesse período.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi nessa época também em que os burgueses, comerciantes e mercadores, se tornaram detentores de poder de compra e da certa influência que isso traz. Não era mais apenas a Igreja Católica que podia contratar os serviços de um artista, isso trouxe a arte para fora das catedrais e para dentro das casas dos mercadores. Com o passar do tempo essa minoria exclusiva passou não somente a consumir essas obras, mas a discutí-las entre si, estudar os mestres antigos e formular as teorias do que hoje se convenciona "belas artes". Nasceu ali a crítica elitista e o pensamento de que a "Arte" é o produto de poucos para poucos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há lições que podem ser aprendidas mesmo nessa história dos vitoriosos. Olhando para o tão falado passado glorioso dos gregos e romanos se encontram peças que hoje são consideradas obras de arte, mas na época eram apenas ânforas, jarros onde era servida água. As pinturas feitas pelos homens das cavernas se acredita terem tido um significado místico onde eles procuravam melhorar sua caça representando os animais sendo abatidos nas paredes do ambiente onde viviam. Os romanos antes dos renascentistas já procuravam se cercar de coisas belas para demonstrar a glória do Império. A arte já passou por profundas mudanças de significado e função durante toda sua história. Os artistas passaram de reles serviçais, desprezados porque usavam de suas mãos para realizar seu trabalho, para celebridades reconhecidas mundialmente por sua genialidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas as dúvidas e a crença de que as "belas artes" não existem mais pois tudo que poderia ser feito já foi realizado são apenas uma visão parcial de pessoas que acreditam apenas nas conquistas do passado. Assim como já aconteceu inúmeras vezes no passado, a arte esta mudando sua função na sociedade uma vez mais, querendo assim os tradicionalistas ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O projeto - uma palavra muito mais adequada do que a miscelânea sem sentido que virou a palavra &lt;span style="font-style: italic;"&gt;design&lt;/span&gt; - é uma das formas que a arte encontrou de voltar às mãos coletivas dos artesãos em seus estúdios. A dicotomia falsa entre "design" e "arte" hoje já está sendo repensada pois esse argumento é muito cômodo e vazio. Os afrescos da Capela Sistina são hoje considerados uma das maiores obras de arte da humanidade, mas todos desconsideram o fato de que foi uma encomenda paga, jogando por terra o argumento de que design é diferente de arte por ser comercial. A arte das catedrais teve como principal motivo passar os ensinamentos da religião aos analfabetos através de imagens, com motivos específicos exigidos ao artista, desmentindo o argumento de que arte não tem foco ou propósito utilitário e que não possui a relação cliente/contratado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje volta a se pensar a arte como uma das muitas faces que representam os pensamentos e os momentos marcados no tempo de uma determinada sociedade. Cultura, afinal de contas, é algo vivo e mutante, é feito no dia a dia por todas as pessoas, um conjunto inseparável. Os museus preservam apenas as obras, mas os olhos que as interpretam de maneira diferente é que contém os resultados das formações diversas de cada geração. A arte não morreu, apenas mudou como fará novamente no futuro, mas é importante ter consciência de que aquilo que nossa sociedade produz também é arte pois ela representa aquilo que no futuro será considerado o marco de nosso tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhe ao seu redor. É só isso que você considera o símbolo de sua cultura?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14790774-114299834323399809?l=sarauaoluar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sarauaoluar.blogspot.com/feeds/114299834323399809/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14790774&amp;postID=114299834323399809&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14790774/posts/default/114299834323399809'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14790774/posts/default/114299834323399809'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sarauaoluar.blogspot.com/2006/03/arte-ou-arte-o-que-se-convencionou.html' title='arte ou Arte'/><author><name>Atilio Baroni Filho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_fwcU9_-k5CA/SPjwL_1GO-I/AAAAAAAAADQ/zmm-pYchO5o/S220/AtilioYES.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14790774.post-113745717063170080</id><published>2006-01-16T20:44:00.001-02:00</published><updated>2009-03-31T12:04:09.862-03:00</updated><title type='text'>A Era dos Sonhos</title><content type='html'>O que é o virtual? A explicação mais comum que existe para este termo hoje em dia é "falso" ou "ilusório". Tudo que é virtual não existe, é apenas uma encenação, é a representação da irrealidade. Seria assim tão fácil descrever um conceito tão presente em nossa sociedade hoje e que define também o seu futuro? O significado filosófico de virtual é de que ele representa tudo aquilo que é apenas uma possibilidade e não a ação, como a energia potencial contida em um objeto que pode se tornar energia cinética, ou a presença da árvore na imagem de um grão. Ao contrário de ser a antítese do conceito de realidade o virtual é uma parte dela, e se opõe apenas ao atual. A imagem da muda crescendo é a atualização da imagem da semente, que ainda possui em si a potencialidade, a imagem virtual da árvore.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fenômeno que presenciamos hoje é principalmente o da digitalização dos meios de comunicação, um marco histórico de igual peso, senão maior, do que a Revolução Industrial. Digitalizar algo é de forma bem simples apenas traduzir esse algo em números, e praticamente qualquer informação pode ser codificada dessa forma. A grande vantagem desse modo de codificar a informação é de que por ser baseada em cálculos computacionais, ela pode ser modificada de maneira muito mais fácil do que os meios de comunicação analógicos, o que abre as portas para uma incrível facilidade de se interagir com e criar informação em quantidade e qualidade nunca antes alcançada pelo ser humano. A tendência atual é de que toda a informação e os meios de distribuí-la e modificá-la vão eventualmente convergir para o digital, mesmo que as grandes corporações ainda vejam riscos financeiros em certas tecnologias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como isso define o nosso mundo hoje? Se o virtual representa a potencialidade do atual, ele representa nada mais do que os sonhos da humanidade. A engenhosidade e inspiração dos artistas, a visão de líderes, as criações e teorias impróprias ou impossíveis de seres humanos notáveis que hoje são passado ou muito respeitadas, tudo isso começou com algo muito efêmero, um sonho, um pensamento. Qualquer um pode ter seu momento de eureka, mas todos aqueles que se destacaram foram os que conseguiram atualizar o virtual, decodificaram sua inspiração para o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, nós vivemos de nossos sonhos, e os experimentamos de maneira muito mais fácil, muito mais imediata. A informação digitalizada existe sim, ao contrário do que os críticos à tecnologia atual querem sustentar, pois precisa apenas ser decodificada, atualizada, para que se tenha acesso a ela. Qual é a diferença disso para um texto impresso em papel, já que para se ter acesso a essa informação é preciso saber decodificar todos os símbolos ali representados de igual forma? A informação impressa em papel é virtual até que se possa atualizá-la, a interface que possibilita isso deixa de ser a tela e os programas do computador e passa a ser nossos olhos e o conhecimento da linguagem na qual foi escrita. Papel ou tela, ambas ainda precisam de contexto para que possam ser entendidas. A informação contida em um computador pode ser apagada, tanto quanto um papel pode ser esquecido ou queimado, ambos podem se apagar com o tempo de igual maneira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há críticas de que estamos construindo uma sociedade inteira em cima de algo que não existe realmente e de que isso é tão frágil quanto um castelo de cartas, mas o ser humano vive e sempre viveu do virtual, do efêmero: países, territórios demarcados, ideologias, religiões, o capital, todos conceitos pelos quais seres humanos vivem ou morrem, todos eles reflexos dos nossos sonhos, todos eles virtuais até que nós os atualizemos, os trazendo para o mundo. Vivemos hoje a Era dos Sonhos, onde a possibilidade é vivida todos os dias e não está mais apenas presente em cada passo de nossas vidas, está agora ao alcance de nossas mãos, esperando ser atualizada com um clique.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14790774-113745717063170080?l=sarauaoluar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sarauaoluar.blogspot.com/feeds/113745717063170080/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14790774&amp;postID=113745717063170080&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14790774/posts/default/113745717063170080'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14790774/posts/default/113745717063170080'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sarauaoluar.blogspot.com/2006/01/era-dos-sonhos-o-que-o-virtual.html' title='A Era dos Sonhos'/><author><name>Atilio Baroni Filho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_fwcU9_-k5CA/SPjwL_1GO-I/AAAAAAAAADQ/zmm-pYchO5o/S220/AtilioYES.jpg'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14790774.post-113193039507983979</id><published>2005-11-13T22:54:00.001-02:00</published><updated>2009-03-31T12:04:00.652-03:00</updated><title type='text'>Educação: Importante ou Prioritária?</title><content type='html'>A palavra educação é usada hoje como uma panacéia para os mais diversos tipos de atividades, mas para começar a falar sobre ela é preciso primeiro estabelecer o que ela é. Há quatro conceitos chave que definem a educação de uma maneira mais ampla e também o seu papel na sociedade como um todo: identidade, formação, inclusão e revolução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O propósito mais básico do educar é o de passar adiante não só conhecimento, mas os hábitos, as morais, a cultura e a língua de uma sociedade de qualquer tamanho. Isso faz com que os indivíduos dentro dessa sociedade sejam homogêneos o suficiente para criarem de forma espontânea uma identidade para si mesmos, onde eles se reconhecem como pares e compartilham de seu cotidiano. Educar uma pessoa sobre sua própria cultura, e mais importante, dar as condições para que ela possa e queira acessá-la por si mesma, representa o papel importantíssimo da educação de incluir o indivíduo no ambiente em que se encontra. A relação do indivíduo com sua sociedade é muito dinâmica e dialética, pois há interferências constantes de ambos os lados; ao mesmo tempo em que a sociedade forma o indivíduo um conjunto suficiente deles também forma a sociedade, e essa interação têm a tendência de acontecer a intervalos cada vez menores. Essa relação é de primordial importância para aqueles que desejam encontrar um meio de revoluciar a sociedade como um todo, pois a educação é uma ferramenta de mudança; indivíduos conscientes são frutos de uma sociedade consciente, e o inverso também se aplica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os países membros da Organização das Nações Unidas firmaram um acordo no ano de 2000 que ficou conhecido como a Declaração do Milênio, que estabeleceu as metas dessa grande sociedade que é a raça humana para a sustentabilidade de sua grande casa, o planeta onde vivemos. É uma iniciativa importante e absolutamente necessária para suprir uma necessidade que vinha se tornando cada vez mais gritante, a de conscientizar as pessoas dos problemas que afetam a todos nós, sem exceção. O que é prioritário para todos já está definido, e nesse contexto a educação é considerada importante pois é uma das várias ferramentas que podem ser utilizadas para revolucionar os pensamentos e atitudes de todos para se atingir as metas definidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Considerando agora a educação em outro contexto, a comparando com todas as possíveis ferramentas que podem ser utilizadas, ela deve sem dúvida alguma ser considerada prioritária. Criar uma capanha publicitária para se comunicar essas idéias é importante, mas de nada adianta apenas alardear uma idéia e esperar que ela aconteça, é preciso trazer essas metas para a realidade das pessoas, situá-las quanto ao papel que elas podem desempenhar individualmente para o bem comum. Todas as metas, sem exceção, citam que é necessária a formação e disseminação dessas idéias de uma maneira perene, ou seja, transformá-la em cultura. Já ficou provado em pesquisas que uma educação de qualidade e prolongada, que gera uma alfabetização completa e funcional segundo nossos padrões atuais, é condição essencial para que a pessoa desenvolva um gosto e consciência para com sua própria cultura. Fazer com que as gerações atuais sejam avisadas sobre os problemas comuns a todos é apenas o primeiro passo. É prioritário que todos, incluindo as gerações futuras, sejam educados para agir de acordo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14790774-113193039507983979?l=sarauaoluar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sarauaoluar.blogspot.com/feeds/113193039507983979/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14790774&amp;postID=113193039507983979&amp;isPopup=true' title='20 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14790774/posts/default/113193039507983979'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14790774/posts/default/113193039507983979'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sarauaoluar.blogspot.com/2005/11/educao-importante-ou-prioritria.html' title='Educação: Importante ou Prioritária?'/><author><name>Atilio Baroni Filho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_fwcU9_-k5CA/SPjwL_1GO-I/AAAAAAAAADQ/zmm-pYchO5o/S220/AtilioYES.jpg'/></author><thr:total>20</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14790774.post-112681008470395680</id><published>2005-09-15T15:11:00.001-03:00</published><updated>2009-03-31T12:03:51.001-03:00</updated><title type='text'>Liberdade?</title><content type='html'>O que é, afinal, liberdade? Como fica esse conceito em um época onde as transformações rápidas não só acontecem no mundo da tecnologia, mas também no da cultura? Não são poucas as pessoas que criticam os autores já mortos de livros dos mais variados assuntos, mas ignorar dessa forma os pensamentos que já foram compartilhados por eles pode ser um imenso desperdício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Liberdade. O poder de fazer tudo aquilo que você quiser. O direito de ir e vir. Livre arbítrio. Cada um na sua, mas com alguma coisa em comum. A capacidade de ter tudo aquilo que você desejar. Estas frases fazem juz a um conceito tão grandioso como este? Parafraseando um grande amigo, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"liberdade hoje é a maior arma de marketing da democracia norte americana"&lt;/span&gt;. Nada poderia estar mais equivocado do que achar que liberdade é poder fazer tudo aquilo que &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;você&lt;/span&gt; quer. Esse é o típico pensamento individualista infeccioso imbuído em nossa sociedade capitalista, onde o bem do indivíduo é o princípio para o bem coletivo, pois se você tem o poder de fazer o que quer, quem é o próximo para lhe dizer não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde está nosso direito de ir e vir tão aclamado mundo afora, sendo que você pode ter muita vontade de conhecer o país, ou até o mundo, mas se você não tem dinheiro... sinto muito, vá a pé. Há sempre essa possibilidade, de que você tem pernas para andar, mas é muito conveniente dizer isso de uma posição confortável, você não escuta essa frase de ninguém que não tenha pelo menos um carro na garagem. A sociedade que força você a pagar por transporte é a mesma que cobra os horários que você precisa cumprir no trabalho, ela não quer saber se você mora do outro lado da cidade e não poderia fazer o caminho a pé, quem dera sequer pensar em fazer o mesmo para viajar mais longe. Se isso é parte da liberdade que a democracia tanto promete, como um direito seu, onde estão todos os cidadãos? Não perca tempo procurando, pois não há muitos. Nossa democracia representativa é ilusória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Livre arbítrio, outro conceito de liberdade muito conveniente para aqueles que o criaram. O homem nasce com o poder de decidir por si mesmo seu próprio destino. Poderia ser tão simples? Pare por um momento para se perceber não como indivíduo, mas como uma parte de um todo. Você não é apenas os seus desejos, seus sonhos, suas angústias e alegrias. Você também é parte de uma sociedade, que tem uma história, uma história política, uma cultura e uma língua. Essa coletividade está presente em você, seja você gótico ou patricinha, de esquerda ou de direita. Seus pais lhe passaram muito do que você é hoje, mas eles foram apenas filtros para essa cultura. E essa cultura, e a moral que você forma com o passar do tempo, sempre vão filtrar suas decisões, seus pensamentos. Sim, você pode decidir fazer o que você quiser com o seu destino, mas no fim das contas, você o faz?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Liberdade não é destruir os limites ao seu redor. Não é achar que porque uma casa com quatro paredes o restringe que você deve destruí-las, isso apenas o deixaria sem um metafórico abrigo. Liberdade é saber reconhecer os seus limites e trabalhar dentro deles ou ultrapassá-los, resolver-se com eles. Moral é um limite? Sim, e um limite que nos separa de forma muito clara das ações instintivas de animais, mas ao mesmo tempo é tão única de cada indíviduo que o limite de um não é o limite do outro. O espaço do próximo, a opinião do próximo, é um limite? Sim, é possível ser livre com outras pessoas livres ao seu redor, se você respeitar os limites de cada um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Liberdade esta longe de ser algo onde apenas o indivíduo ganha, e não é algo que se conquista, como se a liberdade fosse uma condição permanente. Liberdade é algo que se exerce todo o dia, estando preso por algemas físicas ou metafóricas, pois por mais que nosso ego tente dizer o contrário não somos o centro do universo nem tão pouco vivemos sozinhos numa ilha deserta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14790774-112681008470395680?l=sarauaoluar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sarauaoluar.blogspot.com/feeds/112681008470395680/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14790774&amp;postID=112681008470395680&amp;isPopup=true' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14790774/posts/default/112681008470395680'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14790774/posts/default/112681008470395680'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sarauaoluar.blogspot.com/2005/09/liberdade-o-que-afinal-liberdade-como.html' title='Liberdade?'/><author><name>Atilio Baroni Filho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_fwcU9_-k5CA/SPjwL_1GO-I/AAAAAAAAADQ/zmm-pYchO5o/S220/AtilioYES.jpg'/></author><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14790774.post-112276669372866650</id><published>2005-07-30T20:18:00.001-03:00</published><updated>2009-03-31T12:03:42.141-03:00</updated><title type='text'>Os Devaneios Infantis não podem Envelhecer</title><content type='html'>Ver &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A Fantástica Fábrica de Chocolate&lt;/span&gt; me fez voltar um pouco no tempo, literalmente, e não foi só por causa do cover Oompa-Loopa de Kiss e dos Beatles, que conseguiu inserir as músicas do original sem transformar em um musical, já que com certeza os executivos acharam que não ia funcionar (leia-se: vender). Música, no entanto, não é minha especialidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que me fez realmente ter uma epifania quando estava voltando do cinema hoje foram algumas frases muito bem colocadas que resumem todo o conceito do filme, fora os valores que o antigo filme já tentava passar como dar valor a família, não criar as crianças com doces demais, televisão demais, mimo demais, ou pressão demais para que elas sejam &lt;span style="font-style: italic;"&gt;as&lt;/span&gt; melhores. Chocolate é muito bom, com moderação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Chocolate não precisa fazer sentido. Ele é doce, e esse é o ponto."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vocês não fazem idéia do quão sábia é essa frase. Imaginem qual não seria a decepção para o resto da vida de uma criança se você a mostrasse como uma fábrica de chocolate de verdade funciona. Não há uma razão no mundo do porque fazer isso, e podemos aprender com essa situação. Onde esta o nosso sentimento puro de se deixar ser maravilhado por uma coisa nova? Onde estão aqueles devaneios que não fazem sentido algum, mas que são divertidos para caramba e nos fazem sorrir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa história de que tudo precisa fazer sentido, de que tudo precisa de uma explicação razoável e científica, está acabando lentamente com o mais puro impulso criativo das pessoas. E isso esta vazando para coisas onde a criatividade e a imaginação são importantíssimas, como a fantasia do RPG. Eu sei que muitos que vão ler isso não jogam ou sabem o que é, então eu vou usar Senhor dos Anéis para dar um exemplo que todos entendam, até porque o RPG nasceu por causa de Tolkien.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vocês conseguem imaginar um bando de aventureiros, vestindo suas armaduras e empunhando suas espadas, marchando com toda a sua coragem na direção da perigosa caverna onde esta escondido o maligno dragão... e de repente, entre os vários túneis e cavernas, vocês encontram... um banheiro? "Sim, é lógico! Como é que os monstros sobrevivem lá dentro, afinal de contas? Como eles se alimentam se não tem uma cozinha?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é preciso um banheiro! Em que a história ia ganhar mostrando o tamanho colossal do que sobra de um dragão? Em nada! Porque esse não é o ponto! Peter Jackson não teve que mostrar o banheiro dos anões de Moria em nenhum momento para que toda a caverna tivesse um propósito, que era o de deixar todos babando com a grandeza dos Senhores dos Anões, e mais nada. Eu fiquei sinceramente surpreso quando muitas pessoas (sim, muitas, eu li várias críticas sobre o filme) ficaram decepcionadas com Batman Begins porque "a máquina que evapora água deveria ter feito todos ali explodirem". Hora de uma pílula de realidade: estamos falando de um cara que se veste de morcego para combater o crime! Se a máquina explodia ou não as pessoas não tem importância nenhuma, porque esse &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;não&lt;/span&gt; é o ponto! Todo o mito e toda a jornada do herói do Batman é o mais importante, e não de onde veio a sua armadura tecnológica e o seu carro incrível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num mundo onde toda a cultura é servida de colheradas pela TV e pelo Cinema, as pessoas estão simplesmente parando de sonhar. Afrodite nasceu do sêmen de um Deus misturado com a espuma das ondas do mar. Porque não? Se faz sentido ou não, simplesmente não é o ponto, e sim o que Afrodite representa, o que ela ensina através de um modelo para se seguir ou repudiar. Estamos entrando numa era onde os mitos estão deixando de existir, simplesmente porque eles não são &lt;span style="font-style: italic;"&gt;cientificamente possíveis&lt;/span&gt; ou &lt;span style="font-style: italic;"&gt;finaceiramente viáveis&lt;/span&gt;. Eu duvido que isso parou DaVinci quando ele desenhou um projeto para um helicóptero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não deixem de sonhar. Sintam-se livres para criar, para viajar. Soltem-se. O mundo precisa dessa fagulha primordial que surge sempre quando criamos alguma coisa, porque é aquilo que nos mantém vivos e sempre continuando em frente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14790774-112276669372866650?l=sarauaoluar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sarauaoluar.blogspot.com/feeds/112276669372866650/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14790774&amp;postID=112276669372866650&amp;isPopup=true' title='20 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14790774/posts/default/112276669372866650'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14790774/posts/default/112276669372866650'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sarauaoluar.blogspot.com/2005/07/os-devaneios-infantis-no-podem.html' title='Os Devaneios Infantis não podem Envelhecer'/><author><name>Atilio Baroni Filho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_fwcU9_-k5CA/SPjwL_1GO-I/AAAAAAAAADQ/zmm-pYchO5o/S220/AtilioYES.jpg'/></author><thr:total>20</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14790774.post-112227944782632558</id><published>2005-07-25T05:10:00.001-03:00</published><updated>2009-03-31T12:03:27.953-03:00</updated><title type='text'>Um brinde!</title><content type='html'>Aqui estou eu, depois de anos e anos, tomando coragem para começar um blog. Na verdade, apenas porque finalmente tive um motivo razoável para tal, compartilhar não coisas sobre mim e minha vida, mas pensamentos e idéias para que eles sejam discutidos e multiplicados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sejam todos bem vindos ao meu sarau, peguem uma almofada e se acomodem no chão mesmo, pois no centro da roda está aquele que quiser falar, recitar ou tocar. Uma festa noturna dedicada a Baco, para que a força criativa contida aqui não encontre limites. Regada a vinho como um bacanal não poderia deixar de ser, com a Lua como testemunha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um brinde! Aos intermináveis devaneios ainda por vir...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14790774-112227944782632558?l=sarauaoluar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sarauaoluar.blogspot.com/feeds/112227944782632558/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14790774&amp;postID=112227944782632558&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14790774/posts/default/112227944782632558'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14790774/posts/default/112227944782632558'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sarauaoluar.blogspot.com/2005/07/aqui-estou-eu-depois-de-anos-e-anos.html' title='Um brinde!'/><author><name>Atilio Baroni Filho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_fwcU9_-k5CA/SPjwL_1GO-I/AAAAAAAAADQ/zmm-pYchO5o/S220/AtilioYES.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry></feed>
